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domingo, 23 de setembro de 2012



Bem que dia é hoje? O que eu devo dizer? Hoje é um novo dia, dia de procurar pessoas novas, coisas novas para fazer, deveres, trabalhos, suado, sorrisos, hoje é dia de festa, um belo sol para se pensar na felicidade, banho agora, logo depois café, e a tarde toda pra ler um bom livro embaixo de uma arvore de sombra, aquele sol lindo, sorrindo pra todos. O que eu realmente digo... Mais um dia, igual à ontem, igual há uma semana, hoje é dia de forçar o mesmo sorriso, dizer que estou bem, fingir me interessar, hoje é mais um dia que você me deixou e eu terei que mentir pra qualquer um com apenas três palavras, “Eu estou bem” palavras que pra uns são normais e mais pra mim é apenas um disfarce, um disfarce.
                                                                                           (Autor Desconhecido) 

                       No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano, o mais humilde de nós. Então direi de boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa? — Caio Fernando Abreu

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